Direito ao pertencimento

Todas as pessoas que nascem em uma família pertencem a ela na mesma proporção. O direito ao pertencimento é igual para todos, independente de estarem vivos ou mortos.
O que acontece se um membro da família é excluído? Alguém, em algum momento posterior, terá que incluir esta pessoa no sistema, representando-a. É como se a pessoa da geração posterior, vivesse no presente e no passado ao mesmo tempo. Sua tarefa é mostrar para a família que alguém precisa ser visto, está faltando.
Os motivos, mesmo que considerados justos, que levam uma família a excluir uma pessoa não importam. Normalmente as causas de exclusão estão ligadas à moral, a noção de bem e mal do grupo familiar. Estas noções variam de família para família, portanto há uma consciência maior que se encarrega em manter a ordem, à partir de uma justiça que não obedece as mesmas leis.
Além dos parentes consanguíneos, outras pessoas ganham o direito de pertencer: parceiros anteriores, inclusive dos pais e dos avós, pessoas cujas mortes ou destinos beneficiaram uma família, vítimas de atos cometidos por membros da família e assassinos que tenham como vítima, algum dos membros da família. É interessante observar, como vítimas e assassinos se sentem mutuamente atraídos, contrariando toda a nossa crença de bom e mau.

Miriam Buhler