Quem
somos e onde estamos?
A consciência inovadora da tecnologia nos
parece dar ou ganhar tempo, mas em verdade ela
nunca teve este poder. Damos valor a tudo o que
serve à praticidade da vida e nos redime
dos processos que cuidam da mera existência,
porém o existir foi associado ao sobreviver
e seu cuidado foi banalizado. Passamos a reconhecer
o valor da existência nos mecanismos que
estranhamente nos aprisionam pela distração
e pelo consumo desenfreado de valores agregados.
O que não cumpre uma função
nesta lógica parece deslocado e sem sentido.
Dissociados do próprio tempo pelo esquecimento
do ser, não reconhecemos mais valor algum
da ordem do que em si mesmo é valoroso
por simplesmente existir. Neste valor estamos
igualados e sua determinação é
percebida pelo homem, mas ainda determinada pela
natureza. Tal reconhecimento é necessário
para qualquer surgimento de pensamento essencial
que revele o valor na existência.
Uma boa consciência inovadora é aquela
que participa valorizando a vida humana e seu
contexto, e que tem isto como fundamento. Hoje
em dia cortamos e fatiamos uma árvore em
alguns minutos, ao que a um lenhador antigo seriam
necessários dias e muito suor. Concomitante
com o tempo e o suor estava um valor que para
nós, filhos da inovação,
está perdido: a intimidade da madeira e
do homem com a floresta.
Cuidar do humano é permitir seu habitar
determinado por seu tempo. Desperdiçamos
tempo ocupados por demandas que retiram tudo de
seu lugar e tornam a todos globalmente estrangeiros
em terra arrasada. Assim perdemos nosso valor.
O tempo é a única coisa que tem
valor. E não é um valor agregado,
é um valor empírico, se é
que algo assim é possível. Afinal,
tanto ricos como pobres, morremos.
Nada de errado com a tecnologia e seus avanços,
mas devemos meditar se seus movimentos devem ditar
nosso vir a ser, e não o contrário.
Uma tecnologia esvaziada do sentido do habitar
é resultado de uma consciência ausente
de seu fundamento de igual aqui, pois permanece
no processo de nascimento da existência
como ela se dá a todos e da forma que se
dá enquanto tempo. Este pensamento da ausência
necessariamente desloca a tudo para um lugar onde
nada pode habitar, por não servir a função
de seu pensamento. Desta forma, enriquecendo pagamos
o preço de um grave e talvez irrecuperado
empobrecimento. Parece que há um lugar
onde a depressão serve à vida!