Círculo Aletheia

A verdade enquanto movimento do espírito.


Ludicamente vamos propor que a maior envergadura de verdade seja aquela que me chega e me toca pelas costas, pois partiu de meu olhar e deu a volta ao mundo e, em sua curvatura, se tornou desconhecida até mesmo para mim. Perdeu-se de mim e se fez surpreendente, passou por tantos lugares e chegou a mim novamente diferente, tão carregada de novo impulso para o mesmo processo. Mais uma volta, outra volta e outra volta mais.
As boas verdades e descobrimentos seriam talvez aqueles que nos empurram ou nos levam a caminhar sem retirar da curva o seu mistério e seu pertencimento ao lugar. Verdades de grande envergadura só podem tocar ao mundo em sua totalidade, sem exclusão. Isto só é possível com um valor do existir.
Quem sabe não seja este um encargo fundamental da terra para nós: nomear, presenciar e verificar toda existência, reconhecendo seu valor. Somos instâncias conscientes de algo que é maior do que nós mesmos, mas esta grandeza se abre na plenitude à nossa natureza e no silêncio de um valor que preexiste a nós, não necessita de nós e existirá sem nós, mas do qual amamos participar. Este silêncio parece ser o ponto de partida e lugar de retorno de tudo o que somos e fazemos. Nossa humanidade é mais do que o coletivo de todos os homens, é o homem em sua profundidade. Desta profundidade brota tudo o que é, e o que é é para nós, dentro de nossa humanidade. Mesmo a cobra, Deus, o céu e o amor.
Quando, enquanto consciências, presenciamos os movimentos da verdade como Aletheia somos agraciados com a pura presença no que tardiamente denominamos como nós mesmos. Nosso senso de liberdade é restabelecido como capacidade de estar dentro, presenciando o advento da vida e sendo capazes de nos reconhecer e suportar seu movimento. Em muitos sentidos, Aletheia é a verdade possível. Ao invés dos grandes ideais, é a verdade que serve à vida e talvez, por ser um processo, seu conteúdo revelado sirva tão somente para a consciência daquele momento.
Os movimentos do espírito são conciliadores e integradores, sempre dando o devido pertencimento a tudo o que nossa consciência declara não existir, ou não dá permissão de ver a luz.
Expostos a Aletheia conhecemos uma honestidade profunda que reconhece na entrega a própria vida como ela é – a paz e a tensão capazes de nos guiar nos processos de finitude do constante devir da existência. Tudo passa, tudo sempre passa. Nós inclusive, um dia, também iremos passar.
O indivíduo é como uma ponte que possibilita passagem constante de um algo misterioso para o que reconhecemos como vida, mundo e eu. Pontes largas atravessam vales e rios extensos, capazes de em sua passagem revelar ângulos de alturas só possíveis em seu trânsito.
Nossa capacidade de ser é da ordem da capacidade de permanecer aberto, em movimento. Nossas pontes servem para o reconhecimento do lugar, mas inevitavelmente nos levam a um destino desconhecido.
A Prática Aletheia, enquanto meditação e expressão do espírito, não nos leva a um outro lugar, mas nos recolhe ao momento onde toda transcendência é real e possível – o espaço interno do mundo onde tudo simplesmente existe e se move para novas modalidades de existência.

Mais informações:
Paloma Bastos

(21) 8565-2347
aletheia@medbeijaflor.com.br