Muitas
vezes votos e promessas permanecem vigorando por
muito tempo até serem vistos. São
mecanismos da linguagem que requerem comprometimento
e criam vínculos reais. Quando feitos,
somos tomados a serviço de uma imagem externa,
em um movimento que trabalha e cobra, no intuito
de tornar possível o cumprimento da declaração.
A utilização dessas formas de linguagem,
acrescida de raiva, com desejo de vingança
ou em detrimento de uma outra pessoa não
devem ser feitas, pois trazem conseqüências
sérias. Muitas vezes, também com
boas intenções, somos colocados
sobre tensão devido ao uso desse mecanismo.
Certa vez, conheci uma moça cuja mãe
havia feito uma promessa para ajudá-la
a se curar na infância. A cura veio, mas
a promessa não foi cumprida pela mãe
e adentrou no esquecimento. Um peso se colocava
sobre a moça, como um sentimento de menos
valia. A moça pôde se deparar com
isso e ofertar sua gratidão às forças
maiores movidas em seu nome, sem seu consentimento.
Com isto, a promessa pôde ser desfeita e
a pessoa não precisou mais constantemente
se defrontar com uma força oculta que se
colocava à sua frente, impedindo e ocupando
um espaço em seu livre caminhar. Há
responsabilidade para com tudo o que movemos no
mundo, seja com clareza racional ou com devoção
mística.
Mauro
Buhler